É muito fácil e muito cômodo para quem administra as vias urbanas, fugir da responsabilidade e tirar a bicicleta do seu espaço conquistado no trânsito, como um veículo, e jogá-la em cima da calçada, priorizando as vias públicas exclusivamente para veículos automotores, nivelando a bicicleta nas mesmas condições de mobilidade dos pedestres. É uma ótima oportunidade de eliminar as bicicletas da pista, que às vezes "atrapalham" o trânsito.
Para que a bicicleta seja eficiente na mobilidade urbana, é necessário que a mesma seja considerada um veículo, com o ciclista exigindo seus direitos e cumprindo suas obrigações conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro.
A demarcação de ciclo faixas com largura mínima, nos dois sentidos da pista, é um investimento de baixo custo que permite a inserção da bicicleta e a conquista oficial do seu espaço no trânsito, resultando num deslocamento rápido e com maior nível de segurança.
A bicicleta na calçada perde o respeito, a agilidade e a sua importância como um veículo eficiente na mobilidade urbana, transformando-se apenas numa opção de lazer, sujeitando-se ao direito dos pedestres de utilizar o seu garantido espaço.
Um exemplo típico acontece no distrito de Ingleses, onde em época de temporada a calçada é tomada pelos pedestres e veículos estacionados, e quando o ciclista consegue se deslocar, ainda é obrigado a parar no final de cada quadra para dar prioridade aos veículos. Acidentes e discussões também são comuns nesta época do ano.
A calçada compartilhada é um jeito elegante de expulsar o ciclista da pista. Daqui a algum tempo, nenhum motorista irá tolerar um ciclista sobre a rodovia, achando que seu lugar é na calçada.
Quem utiliza a bicicleta no trânsito do dia a dia, sabe que a calçada compartilhada não é a melhor solução.
Lourival Adolfo de Souza
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