"Perigos de pedalar em grandes centros urbanos", por Alexandre Koda: cuidados básicos para o ciclista

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qwhkA cada dia que passa o número de veículos nas grandes cidades aumenta e, por conseqüência, aumentam também os congestionamentos, a poluição e o estresse, motivos pelos quais muitas pessoas optam por outros meios de transporte, entre eles a bicicleta. Entre os pontos a favor do uso da “magrela” estão a prática de uma atividade física, a não agressão ao meio ambiente e, em muitos casos, a rapidez para se chegar ao destino desejado.

Nos grandes centros brasileiros, ao contrário do que acontece em países da Europa, por exemplo, a bicicleta é vista pelos motoristas de outros veículos como uma intrusa, um empecilho à fluidez do trânsito. Um exemplo prático são os constantes acidentes envolvendo ciclistas, como na última quarta-feira (14), em que Márcia Regina de Andrade Prado, de 40 anos, foi atropelada por um ônibus na Avenida Paulista, uma das mais movimentadas da capital paulista.

Segundo informações do Jornal O Globo, ela circulava pelo meio fio entre a calçada e a faixa de ônibus, foi atingida por um carro, se desequilibrou e caiu no chão. O motorista de um ônibus que vinha logo atrás viu a ciclista no meio da faixa, tentou realizar a ultrapassagem pela esquerda e, ao retornar, ouviu um barulho e parou. O resgate foi acionado, mas no momento em que os paramédicos chegaram ela já estava sem vida.

“A única forma de tentar minimizar esse tipo de coisa é o ciclista procurar ruas com pouco tráfego de veículos, pois os carros não respeitam a bicicleta”, ressalta Paulo de Tarso, o Paulinho, presidente do clube Sampa Bikers. “Quem usa bicicleta no dia a dia sempre passa por algum tipo de problema, como ser fechado, ou xingado”, completa.

Segurança - Além de ter uma bicicleta com a parte mecânica em ordem, o ciclista precisa usar equipamentos de segurança na tentativa de minimizar os problemas. “É necessário usar capacete, óculos e roupas que chamem a atenção, além de luz se for andar a noite”, adverte Paulinho. Ele também adverte para sempre acompanhar o fluxo do trânsito, não andar na contra mão e passa uma dica caso não seja possível evitar grandes avenidas. “Não é a coisa certa a se fazer, mas se não tiver jeito procure a calçada, mas sempre respeitando o pedestre”.

Paulinho pedala há mais de 10 anos, organiza passeios que reúnem diversos ciclistas para percorrer as ruas de São Paulo e conta que já foi atropelado por um carro na Avenida Nove de Julho durante um destes eventos. “Um senhor de 70 anos bateu no bagageiro da minha bicicleta, eu voei para a calçada e tive sorte de ter caído certo”.

Muitos políticos anunciam como promessa de campanha a construção de ciclovias na tentativa de melhorar a segurança do ciclista, mas segundo Paulinho, a educação no trânsito deve vir primeiro. “Não adianta fazer ciclovia, se não os motoboys acabam invadindo. É necessário fazer um trabalho de educação para cumprir a lei, já que a bicicleta tem prioridade no trânsito”.

A prioridade da bicicleta sobre os demais veículos fica evidenciada no Código de Trânsito Brasileiro, datado de 23 de setembro de 1997, sob a lei de número 9.503. “Nas vias (...) de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.

Também é passível de multa ao motorista realizar ultrapassagem perigosa, num ato classificado como infração gravíssima. “Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta”, como diz o artigo 201 do Código.

Todos também têm uma série de deveres a cumprir, o que nem sempre é respeitado. O artigo 244, inciso VIII, parágrafo primeiro, diz que as bicicletas não podem “transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias”, ato classificado como infração gravíssima.

Atualmente algumas medidas têm sido tomadas para minimizar os problemas, como a permissão de embarque no metrô aos finais de semana, além de bicicletários e locais onde se possa alugar uma bike. Enquanto não houver motoristas educados, mais locais apropriados para as bicicletas e uma convivência harmoniosa entre os condutores dos mais diversos veículos, os ciclistas terão que se arriscar cada vez mais.

Título original: "Conheça os perigos de pedalar em grandes centros urbanos"

Retirado de http://www.webrun.com.br/triathlon/conteudo/noticias/index/id/9169 em 16/01/09
Última atualização ( Ter, 27 de janeiro de 2009 22:27 )  

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