Todos os dias, milhares de pessoas nas grandes cidades brasileiras pegam suas bicicletas e saem para as ruas. Seja qual for o propósito do uso da bicicleta, esses brasileiros recebem o adjetivo de ciclistas, alguns bicicleteiros. Mas antes de saírem de casa, espera-se que todos tenham escovado os dentes, e nenhum deles é chamado de "escovador de dentes".
Temos hoje nas ruas um tipo diferente de ciclistas, são os cicloativistas. Aqueles que agem em prol da valorização do uso da bicicleta. As maneiras de agir são as mais variadas, mas o objetivo é sempre o mesmo. Colaborar para a boa imagem da bicicleta e convencer mais pessoas a utilizá-la.
Mas incrivelmente, não existem ativistas em prol da escovação dentária. Pais e mães, professoras e naturalmente os dentistas incentivam o uso das escovas de dentes, mas ninguém se define como ativista. A bicicleta cada vez ganha espaço como veículo de transporte, lazer e esporte. No entanto, para que esse uso se alastre melhor, uma atitude simples pode ser tomada, trocar o foco.
A marcha da promoção as bicicletas precisa sair da coroa pequena que gira muito sem alcançar velocidade. Precisamos ir mais rápido na coroa maior. Ativismo muitas vezes implica em confronto, negação e até mesmo uma visão pessimista da sociedade, focada nas dificuldades. Andar de bicicleta seja como for e para onde for deve ser encarado como a atividade prazerosa que é, capaz tornar as pessoas e as cidades mais felizes.
Inserir a bicicleta no cotidiano urbano irá eventualmente implicar na morte completa do cicloativismo e a transição para o foco total na promoção ao uso da bicicleta. Nos mesmos moldes propostos pelos dinamarqueses e a Embaixada das Bicicletas.
Retirado de http://blog.transporteativo.org.br/2009/05/19/fim-do-cicloativismo/ em 16/06/09












