"A arte de pedalar com a namorada", por Poti Campos: o convívio do casal exige equilíbrio

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adseerrerRecebo e-mail de um leitor sobre eventuais dificuldades que enfrenta para organizar pedaladas em trilhas. Em busca de roteiros e de parceiros para o que chama de "indiadas", ele conta que a namorada está se iniciando com a magrela. "O problema é que o lance dela é passeio, coisa mais leve", escreve.

Talvez seja de fato um problema no que diz respeito às trilhas, mas certamente este leitor tem a oportunidade de passar momentos maravilhosos com a amada e as bicis. Nem todos - poucos, arrisco a dizer - têm a mesma sorte. São raros os casais que compartilham de igual para igual qualquer uma das modalidades de ciclismo, esporte predominantemente masculino.

Diferenças de ritmo, de habilidade técnica, de preferências por percursos e até de autonomia podem ocorrer amiúde quando um homem e uma mulher decidem circular lado a lado com a bicicleta. Nada disso, porém, irá superar o prazer e a intimidade proporcionada. Desde seu surgimento, quando ainda se chamava velocípede, na segunda metade do Século 19, este veículo demonstrou ser um ótimo instrumento de aproximação dos seres humanos, espécie sempre tão propensa ao desentendimento fácil.

Nos jornais publicados naquela época, inclusive aqui no Rio Grande do Sul, encontramos reportagens sobre passeios coletivos semelhantes aos que realizamos nos dias de hoje. E estes registros já ressaltavam a fraternidade estabelecida entre ciclistas - destacando a chance raríssima de estar próximo ao sexo oposto sem olhares vigilantes e impeditivos de um simples segurar a mão, como fez o par de pombinhos da foto que ilustra este texto.

O equilíbrio necessário

"Não sei se caso ou se compro uma bicicleta", diz o ditado que geralmente interpretamos como a oposição entre o compromisso e a liberdade, mas possível de ser compreendido também como uma referência ao necessário equilíbrio. O equilíbrio que nos exigem os compromissos - como o casamento - e a prática da liberdade - como andar de bicicleta e a escolha de uma só pessoa para amarmos, um dos atos paradoxalmente mais impregnados de liberdade que podemos perpetrar.

É preciso equilíbrio para conviver e isto envolve a capacidade de pedalarmos no ritmo da namorada - ou do namorado - na rodovia, na estrada vicinal sem pavimentação, na trilha, no campo ou na cidade. Pedalem, meus amigos, e amem. Com o equilíbrio que a bicicleta nos ensinou.

Retirado de http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&tp=&section=Blogs&blog=635&tipo=1&coldir=1&topo=3951.dwt em 22/06/09

 

Comentario 

  1. #2 Dário Write e-mail
    2009-06-2603:38:33 "Não sei se caso ou se compro uma bicicleta".

    Ups, já comprei bicicleta…
  2. #1 Sônia Write e-mail
    2009-06-2313:37:34 Me identifiquei com o texto acima,pois tenho desfrutado desse equilibrio e parceria. Que muitos venham a desfrutar tb. Parabéns pelas palavras muito bem colocadas.

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