Maringá é uma cidade de relevo bastante favorável ao ciclista, mas o transporte por bicicletas nunca foi planejado como uma alternativa à intensa motorização dos últimos anos. Os sucessivos governos municipais têm respondido ao aumento da frota de veículos com as velhas soluções do século passado: abertura de novas avenidas e ampliação das já existentes.
O custo dessa aposta infeliz no automóvel já foi quantificado. Segundo o Ministério dos Transportes, bilhões de reais são gastos anualmente no Brasil, no tratamento de vítimas de acidentes de trânsito e de enfermidades relacionadas à poluição emitida pelos nossos veículos. Há também custos ambientais, como a fragmentação de ecossistemas florestais para a abertura de novas vias de circulação.
Mesmo com todos os investimentos, a velocidade média de deslocamento por automóveis tem caído em todo o mundo. Nas cidades dos Estados Unidos é de aproximadamente oito quilômetros horários. Em Maringá, é possível trafegar, de bicicleta, oito quilômetros em 30 minutos ou menos, sem pressa.
Esses fatos demonstram a viabilidade da bicicleta para deslocamentos intra-urbanos. Em Amsterdã, na Holanda, um projeto inteligente de uma ampla rede de ciclovias conseguiu aumentar os deslocamentos por bicicleta e, assim, reduzir o consumo de gasolina em 25%. Mais bicicletas, menos poluição, menos sedentarismo, mais saúde.
Infelizmente, possuímos poucas ciclovias, o que obriga os ciclistas a compartilharem ruas e avenidas com carros, ônibus e caminhões. Para aqueles que, apesar do descaso público, usam a bicicleta, a adoção de algumas estratégias pode reduzir o risco de acidentes.
Caro ciclista: a primeira regra é o respeito às leis de trânsito. Nunca ande na contramão, não transite pelas calçadas, e não caia na tentação de desrespeitar um semáforo vermelho. Nunca transite pela Avenida Colombo. Evite as avenidas de maior fluxo, como a Brasil.
Conheça bem a geografia de sua cidade. Antes de partir, elabore um roteiro por vias paralelas às avenidas. Prefira transitar pelos bairros, onde o tráfego é menor, as ruas são mais arborizadas, e é possível observar cenas de uma Maringá ainda bucólica: crianças brincando, quintais com belos jardins, vizinhos conversando nas calçadas.
No Brasil, o trânsito obedece a uma lamentável hierarquia informal: os que se deslocam em automóveis pensam ter mais direitos do que aqueles que não se deslocam. Muitas vezes, apesar de estar na preferencial, tive de dar passagem a um motorista que preferiu arriscar a minha vida e a de outros transeuntes, fazendo manobras arriscadas para seguir em frente e poupar 15 segundos do seu precioso tempo.
Em casos assim, não aceite provocações e não perca seu sorriso. É preciso ser compreensivo com os pobres de espírito. Ademais, um motorista destemperado é um ser humano vestindo uma armadura de uma tonelada de massa. Melhor evitá-lo.
Fábio Angeoletto é Biólogo da Rede Nacional Observatório das Metrópoles ( Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. )












