O aumento da tarifa de ônibus de R$ 2,30 para R$ 2,50 vai estimular a venda de bicicleta e motocicletas em Campo Grande/MS. É a aposta dos lojistas. O dinheiro gasto em um mês com o transporte coletivo equivale a uma bicicleta nova no valor de R$ 200 ou à prestação de motocicleta de baixa cilindrada, que sai a R$ 169 por mês em 48 parcelas.
A lógica do mercado imposta pelo preço da tarifa a R$ 2,50 derruba a premissa de que o serviço público, no caso o transporte coletivo, deve ser adequado, eficaz e a preço módico.
A reportagem foi até as ruas, lojas que comercializam bicicletas e motocicletas e entrevistou os clientes que querem fugir do preço alto da tarifa de ônibus. Eles estão dispostos a enfrentar a insegurança do trânsito para economizar. Com isso, o papel do poder público de garantir o transporte público e seguro como um direito de todos, principalmente dos mais humildes, vai ao chão.
A ONG (Organização Não Governamental) Rua Viva elenca a importância do transporte público de qualidade como prioridade de uma gestão municipal. Promover a inclusão social, através da redução dos custos do transporte, cobrança de tarifa diferenciada para setores economicamente menos favorecidos, revisão e definição de fontes de recursos para as gratuidades já estabelecidas.
Realidade
"Não tenho condição de pagar ônibus, sou autônomo, pedreiro e para usar o coletivo tenho que tirar dinheiro do bolso. Para compensar andar de ônibus tinha que tirar limpo R$ 700 por mês", diz Mário Oliveira, de 43 anos.
Segundo ele, andar de ônibus seria mais seguro. "Mas, como não tem jeito a saída é ter que encarar a bike". Ele mora no Jardim Itamaracá e pedala todos os dias cerca de 20 quilômetros. O que economiza com o passe equivale ao dinheiro da ‘mistura'.
Na loja de bicicletas, um dia após o reajuste da tarifa de ônibus, Josi Alves da Silva, de 21 anos, dona-de-casa, moradora do Jardim Centenário, tenta comprar uma bicicleta ao custo de R$ 200. "Quebramos o cofrinho da filha para comprar a bicicleta. O passe a R$ 2,30 já pesava imagina agora a R$ 2,50".
Um dia após o preço da passagem de ônibus ser reajustada, o entregador de gás, Robson Penha da Silva, de 27 anos, decidiu ir até uma concessionária de motocicletas. "Vou dar R$ 3 mil de entrada e comprar uma moto. Quero parcelar a metade no mesmo valor em 25 parcelas de R$ 180. Não dá mais pegar ônibus. Está caro, vive cheio, um monte de gente aquele empurra-empurra".
Silva mora no Bairro Batistão, na Coophavila II, entra às 6h45 no trabalho, no Coronel Antonino e todos os dias chega atrasado. "A única saída é encarar a motocicleta. Tenho medo, mas o negócio é ter cuidado e ficar longe de ônibus, carreta e agora, do cerol".
No ano passado, 91 pessoas morreram vítimas de acidentes no trânsito da cidade, 46 das quais eram motociclistas, segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Mato Grosso do Sul).
Retirado de http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=473849 em 03/03/09.












