Jovens usam tapetes de carro para atacar ciclistas e pedestres

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dasfCom o carro em movimento, o passageiro pega o tapete de borracha do veículo, enrola como se fosse um cassetete e se prepara para acertar um ciclista ou pedestre que está circulando pela rua.

No capítulo de "Caminho das Índias" que foi ao ar nesta quarta-feira (25), o playboy Zeca - vivido pelo ator Duda Nagle - acerta um homem que caminhava pela calçada. A tapetada, nome dado à atividade de bater com o tapete do carro, foi na novela, mas para a professora Claudia Carmo, de 41 anos, a cena é bem real.

Ela andava de bicicleta pela raia olímpica da Universidade de São Paulo (USP) quando sentiu um impacto nas costas. "Primeiro, eu senti o calor do motor do carro muito próximo de mim. Quando olhei, vi uma pessoa com metade do corpo para fora do carro, com o tapete enrolado nas mãos. Foi quando ela bateu nas minhas costas", conta Cláudia, que, por sorte, não perdeu o equilíbrio e caiu da bicicleta.

A agressão aconteceu em abril de 2007. "No mesmo dia, eu soube que um homem que estava por lá a pé também levou uma tapetada nas costas", conta. Outros ciclistas que acompanhavam Cláudia tentaram correr atrás do carro, sem sucesso. Dias depois, a professora treinava na USP como de costume até que um ciclista que estava com ela foi atingido por um tapete. "Na segunda vez, meus amigos seguiram o carro. Nós avisamos a Guarda Universitária, e eles foram pegos quando tentavam estacionar na Politécnica".

Orkut

Jovens paulistas se divertem ao contar, em comunidades na internet, suas aventuras na prática da tapetada. No Orkut, existem 32 comunidades com a palavra no nome. Uma delas, chamada Associação Brasileira da Tapetada conta com 604 membros.

A maioria não identifica em que cidade mora, mas há relatos de jovens de São Paulo. Um deles, de 20 anos, que afirma ser do bairro Tatuapé, na Zona Leste da cidade, diz que deu uma tapetada dupla no Guarujá, no Litoral Sul de São Paulo. "A minha foi uma tapetada dupla. Estava no Guarujá quando avistei um caiçara andando de bicicleta com sua namorada também caiçara no cano. Não deu outra, foi [sic] dois coelhos com um tiro soh", afirma, em depoimento postado.

A comunidade define a tapetada da seguinte forma: "o ato de tapetar se dá quando se está no carro e se enrola o tapete e emburracha [sic] em algum distraído que estiver na rua". Outra comunidade no Orkut se intitula "Eu dei tapetada em Leme", cidade do interior de São Paulo, a 188 quilômetros da capital. A maioria dos que dizem já terem dado tapetada é formada por homens, mas há também relatos de mulheres.

O G1 enviou mensagens para os internautas que falavam sobre tapetadas, mas não obteve retorno.

Vídeos

No YouTube, constam 52 vídeos postados com a palavra tapetada, mas a maioria não identifica em que local a agressão foi feita. Em alguns deles, é possível ver o ciclista ou pedestre caindo depois do golpe.

No vídeo chamado "tapetada lapiana", um jovem, de bermuda e sem camisa, no banco do carona, segura um tapete enrolado na mão e narra a aventura "São Paulo, verão de 2008, primeira tapetada do ano, meu irmão", diz ele, que em seguida fala "o maluco vai capotar", referindo-se à pessoa que levará a tapetada. Em seguida, ele põe metade do corpo para fora pela janela e faz o gesto como se tivesse atingido alguém, mas não é possível ver a vítima. O jovem volta a se sentar no banco e comemora junto com os amigos que também estão no carro.

Tentativa de homicídio

O caso da professora Cláudia foi parar no 93º DP, no Jaguaré, que fica na Zona Oeste de São Paulo. Ela conta que os quatro jovens que estavam no carro - um deles era mulher - foram levados para a delegacia. Dois foram indiciados por tentativa de homicídio, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

"No depoimento, eles falaram que era uma brincadeira", relembra Cláudia, que afirma não ter pedido indenização. "Era só isso [o indiciamento] que eu queria. Eles nunca mais vão ter o nome limpo", afirma. A universidade, no entanto, diz que não tem registro do caso. A assessoria de imprensa da Polícia Militar disse não ter relato de casos do tipo.

O analista de sistemas Willian Cruz, de 35 anos, que é ativista de ciclismo, diz que já ouviu relatos desse tipo de agressão e afirma que alguns ciclistas se queixam que isso acontece quando estão correndo em rodovias pela manhã.

Também ativista do ciclismo, André Pasqualini, de 34 anos, conta que já escapou de levar um golpe de cinto de um jovem que voltava da balada na Rodovia Ayrton Senna, na capital paulista, numa manhã de sábado, há cerca de 3 anos. "Muitos ciclistas já evitam circular em horário de balada porque acontece de tudo, gritam, jogam cerveja", diz.

Retirado de http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1009641-5605,00-JOVENS+USAM+TAPETES+DE+CARRO+PARA+ATACAR+CICLISTAS+E+PEDESTRES.html em 03/03/09.

Última atualização ( Ter, 03 de março de 2009 21:27 )  

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