Faltam estruturas ciclísticas em Balneário Camboriú

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ademar_dalila_bici_2009_peqNo Dia Mundial Sem Carro (22) a reportagem conversou com pessoas adeptas de um meio de transporte alternativo, a bicicleta, que cada vez mais perde espaço para os ‘grandões' de quatro rodas. São ciclistas que enfrentam o cotidiano complicado de pedalar em meio à selva de pedras, que não está adaptada para esse tipo de veículo, mas não deixam suas ‘magrelas' por nada neste mundo.

Mudanças boas

O administrador Henrique da Silva Wendhausen, 47, conta que sempre pedalou, mas esteve parado durante 10 anos por conta de um ritmo intenso de trabalho e de um acidente que sofreu com a bike. "Morava em Porto Alegre e não tinha equipamento de ponta por medo de ser assaltado. Vim pra cá e em 2005 voltei a pedalar e me perguntei como é que consegui ficar 10 anos sem a bicicleta. Em poucos meses notei diferença no corpo, na saúde, no humor".

Henrique mora em Camboriú e trabalha em Balneário, vem todos os dias pedalando, faz tudo que pode de bicicleta e acha a cidade plana e tranquila para pedalar, apesar de faltarem ciclovias. "Temos tudo aqui para investir e dar espaço para as bicicletas, priorizar um veículo não poluente, incentivar o hábito nas pessoas. O que falta é aplicar as leis de trânsito também para bicicletas, por que nós ciclistas temos todo direito sobre os motoristas de carro, mas perdemos esse direito quando estamos, por exemplo, andando na contramão. Falta respeito de todos os lados e abrir mais espaços para as bikes, como fizeram em São Paulo, onde o metrô possui um vagão exclusivo para transportar as bicicletas", opinou ele.

Opção ecológica

Para o estudante de jornalismo Melquiades Bezerra do Nascimento, 26 a bicicleta é uma necessidade, mas também um prazer. "Vou para o trabalho, para a faculdade e para a igreja de bike e agora comprei uma moto, porque tudo fica longe para mim, mas pretendo seguir andando de bike também, pelo fato de ser ecologicamente correto e estar praticando esporte, diz o estudante, que mora em Itajaí e considera a cidade "boa para pedalar, mas com respeito mínimo. Já Balneário tem bem menos ciclovias, é incompatível aos ciclistas", pontua.

Faltam ciclovias

A história de Ademar Soares, 68 e da esposa Dalila, 67 começou há 44 anos com o empurrãozinho da "magrela. "E não é que de pedalava 11 km todo dia para me ver? Vinha de Ilhota até Gaspar, mas naquele tempo era normal andar de bicicleta, havia poucos carros", lembra ela. "Quando eu era pedreiro, todos meus colegas andavam de bicicleta, hoje os pedreiros andam de moto e até de carro", continua Ademar, que realiza todas suas atividades de bicicleta, ou a pé, e sente falta das ciclovias.

"Andamos por tudo, Av. Brasil do Estado, arriscamos e vamos embora". A esposa, costureira aposentada, que pedalava 11 km diários para chegar ao trabalho, é parceira e dá dicas de bons passeios para quem é adepto: "esses dias pegamos a BR e fomos lá para aquele interior na Canhanduba, passear, é lindo, gosto de andar por aqueles lados. Não sinto cansaço, posso estar envelhecendo por fora, mas por dentro não", encerrou.

Políticas públicas?

O presidente da Associação de Ciclismo de Camboriú e Balneário Camboriú, Fernando Baumann, lembra que o poder de criar melhores condições para pedalar e consequentemente novos ciclistas dentro desta selva de pedras, é todo do governo.

"Temos hoje muitos ativistas desenvolvendo um trabalho no sentido de mostrar que a bicicleta é um meio viável, mas não temos políticas públicas adequadas, e aí todo o trabalho desenvolvido por entidades e pessoas interessadas fica pequeno, porque o governo precisa sinalizar o interesse na utilização desse meio de transporte alternativo. As cidades estão sendo construídas para as máquinas e não para as pessoas. O trânsito hoje é construído para o automóvel', diz Baumann.

O maior exemplo de que existe pouco ou quase nenhum interesse do governo, é um projeto que a associação sugeriu ao secretário de Planejamento há alguns meses e que incluía uma rota alternativa para ciclistas entre Camboriú e Balneário Camboriú, o que evitaria a passagem deles pela Av. Santa Catarina, que está inviável. Até hoje não obtiveram resposta.

Título original: "Bicicletas, solução inteligente, mas ainda falta muita atenção dos governantes"

Retirado de "Jornal Página 3", Balneário Camboriú, 26/09/09, pág. 6

Última atualização ( Ter, 20 de outubro de 2009 22:35 )  

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